O Brasil tem, atualmente, 45 milhões de pessoas (acima dos 16 anos) que não possuem conta bancária – ou possuem, mas não a movimentam há mais de seis meses –, segundo dados de uma pesquisa divulgada em outubro do ano passado pelo Instituto Locomotiva. A cada três adultos, um não utiliza o sistema financeiro nacional. Esse grupo movimenta, aproximadamente, R$ 820 bilhões por ano, que correm às margens do sistema bancário.

Segundo o mesmo levantamento, a maioria dos desbancarizados é formada por mulheres (59%), negros (69%), pessoas pertencentes às classes C, D e E (86%) e que vivem no Nordeste (39%). Para o Banco Central, uma possível explicação para esse cenário são as experiências negativas vivenciadas nas instituições financeiras tradicionais, que incluem, entre outras coisas, os preços das tarifas.

Esse cenário foi exposto com mais intensidade durante a pandemia de Covid-19, quando o governo lançou mão do auxílio emergencial para a população mais vulnerável e se deparou com o tamanho do problema. Pode ser que a crise que estamos vivendo nos últimos cinco meses sirva para diminuir esse abismo, mas é preciso muito mais.

A dificuldade de obter crédito é outro problema grave, que emperra o crescimento dos negócios. Foi por causa de um pedido negado que Sergio All, na época proprietário de uma agência de publicidade, decidiu criar a Conta Black, fintech que promete desburocratizar o acesso aos serviços bancários para as classes C, D e E. E o empreendedor está longe de ser um caso isolado. Segundo uma pesquisa da FIESP, 45% das empresas que tentam obter um financiamento no BNDES não conseguem. Isso acontece por variados motivos: excesso de exigências quanto a documentação (66% no caso das pequenas empresas), falta de garantias (47%), custos de garantia muito elevados (27%), entre outros. Mais uma vez, o abismo foi evidenciado pela crise recente.

Mas, como nem tudo é notícia ruim, a tecnologia tem ajudado a mudar esse cenário. Prova disso é a proliferação das fintechs, startups do setor financeiro que facilitam todo tipo de operação e estão revolucionando o mercado, já que oferecem produtos e serviços cada vez mais personalizados e acessíveis. Segundo o estudo Distrito FinTech Report 2020, já são 742 startups desse tipo no Brasil, um aumento de 34% em relação ao mapeamento feito no ano passado. Dessas, 117 são de crédito, categoria que só perde para meios de pagamento (122).

A tecnologia também está sendo fundamental para suportar iniciativas inovadoras de educação financeira em larga escala. Uma habilidade que, se aprendida desde cedo, é capaz de mudar os rumos escolares e profissionais de boa parte dos brasileiros.

Veja, na galeria de fotos a seguir, 9 inovadores negros que estão mudando a maneira como as pessoas se relacionam com dinheiro e facilitando a inserção, principalmente da população da periferia, no sistema financeiro:

Divulgação/Forbes
Leandro Dias, Akintec

Assim como o economista e cientista austríaco Joseph Schumpeter, Leandro também acha que toda inovação nasce da destruição criativa. “A pandemia nos mostrou que a tecnologia é um meio vital para a nossa sustentabilidade”, diz o jovem paulista de 32 anos recém-completados que atualmente está à frente da Akintec, startup de tecnologia que oferece empréstimos às classes C, D e E graças a um sistema de modelagem de risco de crédito que oferece propostas personalizadas para cada cliente. A plataforma atua, ainda, como banco digital e varejo.

A empresa foi criada em 2019, logo após a troca de governo. “Com o avanço das legislações no Banco Central para temas como microcrédito e open banking, percebi que nascia a oportunidade para resolver alguns problemas da periferia”, diz ele, referindo-se principalmente à informalidade provocada pelas altas tarifas das instituições financeiras e à falta de crédito e consequente limitação de crescimento dos negócios, resultado justamente dessa informalidade. Ou seja, uma bola de neve.

“Foi aí que surgiu a Akintec. Resolvi criar uma plataforma para oferecer saques, depósitos e serviços financeiros de baixo custo com o nosso gerenciador de transações em blockchain”, explica ele. “Conosco, os pequenos comércios tornam-se agências e moradores das periferias economizam quilos de CO2 para chegar até um banco.”

Antes de empreender, Leandro, que é formado em Administração, Economia e Engenharia da Computação trabalhou com análise de crédito em diversas comunidades da capital paulista, foi consultor de dezenas de projetos de desenvolvimento econômico e lecionou durante cinco anos no ensino superior. “Agora, o meu objetivo é ser, em cinco anos, o melhor gerenciador de informações financeiras do planeta”, diz.

Leia mais em: https://forbes.com.br/forbes-tech/especial-inovadores-negros/2020/08/especial-inovadores-negros-9-brasileiros-que-estao-apostando-na-educacao-financeira-e-no-credito-como-arma-de-ascensao-social/#foto6

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